Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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4 de outubro de 2022

Entregar-me ao sagrado foi das coisas mais difíceis e bonitas que eu já vivi. Escolher entregar-se ao desconhecido é o maior ato de amor e confiança possível, ao meu ver. E pra nós, que vivemos o transe, entregar-se ao Orixá pela primeira vez é entregar nosso corpo e nossa existência à incerteza de sentimentos e sensações que só saberemos depois de viver aquilo tudo. Ainda mais sendo rombona, como somos. Imagino que, pra você que sente o transe do Orixá de outra forma, talvez (e provavelmente) a sensação deva ser outra.

Te encontrar, nessa vida, pra mim é um abismo bastante parecido. Por vezes me pergunto o que Orixá espera do nosso encontro. É sagrado, eu sei, mas por que? Pra quê? De onde vem? Daí eu me lembro de quando sentei na esteira pela primeira vez... é isso. Não tem explicação, o sagrado acontece diante de nossos olhos de forma assustadoramente mágica e poderosa e a gente não pode fazer nada a não ser aceitar e viver o que ele nos proporciona.

Como qualquer caminho humano, o do sagrado nos é também cheio de erros e acertos. Nossos e dos que nos acompanham na caminhada. E por mais que a gente às vezes pense em desistir, a gente sabe que sem ele a gente não tá inteira. 

Hoje escrevo pra celebrar contigo esse ciclo que se fecha e pra desejar muitas alegrias nesse novo que se abre.

Que seu caminho no Axé siga sendo de sabedoria e de humildade e que o Orixá possa sempre se fazer presente na vida das pessoas através de suas mãos! Admiro sua trajetória e sou muito grata por te ter em meus caminhos.

Que Oxalá te encha de paz! Oxum te cubra de amor! Xangô zele sempre pela justiça em sua vida! E que Iemanja prospere seus caminhos ainda mais e leve pra longe toda inveja que possa te alcançar! 

Você, pra mim, é família. Te amo.

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