Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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6 de junho de 2022



Eu poderia falar sobre exu. Poderia falar sobre fotografia. Poderia falar sobre o fazer das mãos. Poderia falar sobre tantas coisas que esse retrato me traz. 
Ah, poderia também falar sobre retratar sem fotografar o óbvio... E vou. Vou falar sobre tudo isso. Preciso. Porque eu tô entalada. Porque eu to machucada. 

Eu preciso falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que acredito. Sobre a lealdade de exu. Sobre a lealdade que carrego em cada passo que dou. E dói. 

Eu aprendi com a fotografia que a gente fotografa o que a gente é. Que a gente fotografa o que a gente quer dizer. E que quando retrata o outro, ficam registradas as relações. 

Eu sempre tive medo de me deixar fotografar. E, confesso, fotografar o outro me é também um desafio. Relação. Olhar o outro e buscar o belo. Mas não necessariamente o belo que eu vejo e sim o belo que o outro deseja ver de si. Talvez retratar as vezes seja mentir. 

Recuo. 

Mas eu vim aqui falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que vejo e recebo por essas mãos. Eu vim aqui dizer da minha eterna busca pelo ser leal... aos meus. E a mim. Há dias estou tentando escrever esse texto e ele não sai. Ele só me vem à mente quando não posso anotar... seria uma auto sabotagem ou seria apenas minha busca por ser leal a mim agindo?