Eu poderia falar sobre exu. Poderia falar sobre fotografia. Poderia falar sobre o fazer das mãos. Poderia falar sobre tantas coisas que esse retrato me traz.
Ah, poderia também falar sobre retratar sem fotografar o óbvio... E vou. Vou falar sobre tudo isso. Preciso. Porque eu tô entalada. Porque eu to machucada.
Eu preciso falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que acredito. Sobre a lealdade de exu. Sobre a lealdade que carrego em cada passo que dou. E dói.
Eu aprendi com a fotografia que a gente fotografa o que a gente é. Que a gente fotografa o que a gente quer dizer. E que quando retrata o outro, ficam registradas as relações.
Eu sempre tive medo de me deixar fotografar. E, confesso, fotografar o outro me é também um desafio. Relação. Olhar o outro e buscar o belo. Mas não necessariamente o belo que eu vejo e sim o belo que o outro deseja ver de si. Talvez retratar as vezes seja mentir.
Recuo.
Mas eu vim aqui falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que vejo e recebo por essas mãos. Eu vim aqui dizer da minha eterna busca pelo ser leal... aos meus. E a mim. Há dias estou tentando escrever esse texto e ele não sai. Ele só me vem à mente quando não posso anotar... seria uma auto sabotagem ou seria apenas minha busca por ser leal a mim agindo?
