31 de dezembro de 2022
2022 chegou ao fim. O ano em que a pandemia acabou (só que não). O ano em que a tristeza passou (só que não). O ano em que o amor venceu (só que não. Pelo menos não o meu...). O ano em que não era mais possível ser ainda mais doloroso simplesmente por ser de verdade e não ter medo de mostrar-se por inteira. (Só que não)
Esse não é um texto bonitinho sobre 2022. Porque assim como 2020 e 2021, 2022, pra mim, foi um ano duro. A solidão se apresentou cada vez com mais força e a cada dia com uma face. E não, eu não tô falando (só) sobre o óbvio.
2022 foi (mais um) ano que eu preferia não ter vivido. Solitário. Seco. Mais um ano sem desejo. Sem vontade. Sem amor, mas com muito.
2022 não foi o ano em que me apaixonei. Mas foi o ano em que entendi que o tipo de amor que eu sei amar talvez seja puro demais pra esse mundo onde vivo. Em 2022 eu entendi que o amor (por mais que recíproco) se não couber na caixinha social, não pode ser vivido. 2022 foi mais um ano de mentiras olhando nos olhos. Foi mais um ano de engolir o desejo e de ver o desejo de outras pessoas ser engolido. Aprendizado. Não é que não sou desejada ou amada. Não posso ser. Seja porque o padrão social não permite. Seja porque falta coragem às pessoas. E tudo bem, a gente sempre pode encontrar outros amores por aí... Mas o que a gente quer viver é o que é de verdade. E mesmo entendendo, dói igual.
E não. Eu não tô falando só sobre amor romântico. Mas também.
2022 foi o ano que eu entendi que o problema não está em mim apesar de ser em mim que ele dói (e muito). Foi o ano em que (mais uma vez) fui apontada e "maldizida" por ser real, por ser leal. 2022 foi o ano em que a saudade pegou fundo e eu parti. 2022 foi o ano em que voltei (só porque não podia ficar). Foi o ano em que eu mais desejei ir embora. Mas não fui. 2022 foi o ano em que eu não quis ir embora, mas precisei.
2022 eu quase morri uma vez. Duas vezes. 7 pontos eu tenho na perna desde 2021. Mas... e daí? Eu sou forte. Sigo na caminhada. Parece piada pra mim. 2022 o ódio seguiu me olhando nos olhos disfarçado de "eu até gosto de você!".
2022 foi cruelmente certeiro ao me mostrar que eu sou absolutamente capaz de perder as pessoas que mais amo por ser explosivamente sincera. E perdi (mesmo sem perder). E doeu. E dói.
2022 foi (mais um) o ano em que deixaram de confiar plenamente em mim pela palavra alheia. 2022 foi (mais um) o ano em que não fui ao menos questionada sobre o que se decidiu sobre quem (acham que) sou.
2022 foi o ano em que minha fé foi testada e re testada, assim como meu equilíbrio e minha paciência. Aguentei. Eu cultuo Orixás e não pessoas. Decidir e agir dentro de si é muito maior que qualquer mudança externa.
2022 chega ao fim com gosto de fracasso. Mas fracasso também serve pra gente reaprender o caminho e reacender a chama.
2022 chegou ao fim e eu desejo profundamente que, junto com ele, tudo o que me afligiu e consumiu nos últimos 3 anos vá pra muito longe.
Nessa foto a planta tá forte e renascendo. A planta que ganhei por ser lembrada estava quase morta aquele dia. Ainda caiu no chão... Eu tive que ir. Tive que voltar. Eu não deixei ela pra trás. Eu deixei ela no lugar que tem me sido refúgio de (uma mínima) felicidade. E ali, pelas mãos cuidadosas que acolhem com verdade por mais que duras e até grosseiras as vezes, ela renasceu.
Sou grata. Ela sou eu. Desejo. E sinto que talvez ela só tenha renascido porque ela não precisou voltar, como eu. Pode não parecer, mas essa planta aí representa desde a verdade do que não pôde ser dita, mas que é sentida no entrelace dos olhos até o desejo de não precisar (mais) ir.
2023 tá aí batendo na porta. E eu só desejo que seja leve! E de verdades!
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