27 de setembro de 2009
25 de setembro de 2009
Marina (eu)
me lembro exatamente do dia e da hora. me lembro de você, amiga distante (e tão querida), lendo para mim a contra-capa preta com detalhes em verde daquele livro. me lembro exatamente o que aquilo significava pra nós. me lembro de tantas vezes que li as mesmas frases. de tantas vezes que escrevemos e de cada lugar onde guardávamos esse nosso segredo.
hoje, triste, andando pela avenida Sumaré me veio à memória todo esse nosso mundo e comecei a recitar para mim mesma aquelas "nossas" palavras. não me lembrava (talvez nem soubesse mesmo) de quem eram as palavras que estavam tão claras na minha memória. Naquele momento elas faziam tanto sentido que nem pensei nisso.
acabei de chegar em casa e procurei "o dono" das tais palavras: Fernando Pessoa
Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.
A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.
Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.
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