Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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23 de dezembro de 2014

Eu, yawo.


  Eu não tive câncer. Eu não peguei piolho. Meu cabelo não caiu. Eu me iniciei no Candomblé. Por escolha, por fé e por amor ao orixá que me escolheu. Foram três meses muito especiais, de muito amor e muito gratificantes, mas muito difíceis.
  Só eu sei quantas pessoas me pediram a benção na rua, quantas pessoas me disseram que eu estava linda, quantos “motumbas” escutei e o quanto me emocionei com cada um deles. Mas também posso dizer que sim, eu sofri preconceito.
  Fui agredida física e verbalmente algumas vezes simplesmente porque estava vestida de branco, com pano na cabeça e meus fios de contas no pescoço andando pelas ruas. Ouvi diversas vezes que “Jesus vai me salvar”. Só eu sei quantos taxis não pararam pra mim, quantas vezes a cadeira ao meu lado ficou vazia no ônibus ou no metrô, quantas caras feias eu recebi... Saí de um emprego porque não aguentava mais ser ignorada por colegas que sempre me trataram bem, porque passaram a confiar menos em mim profissionalmente... Mas segui. E sigo numa luta silenciosa contra esses preconceitos idiotas.
  Agradeço a todos e a cada um de minha família, de minha família de santo e de meus amigos que estiveram e estão ao meu lado nesse processo seja de longe ou de perto!

16 de julho de 2014

manhã no metrô

Até que chega o dia em que você se vê sozinha frente a frente com aquela pessoa de quem você corria. E é ela quem corre, fica dura, se esconde... E você segue inteira e feliz. Afinal, ela é quem nunca foi feliz.

11 de julho de 2014

triste. a distância só distancia. e é um momento que precisaria (ou deveria) aproximar. triste.

8 de julho de 2014

(Quando me vejo indo até a estante em busca de "Pequenas Epifanias" confesso que fico com um pouco de medo de mim mesma. Deixa estar, passa.)

Mas aí, ao abrir o livro aleatoriamente, faz sentido, me entendo. Me representa.

 "Dói muito, mas eu não vou parar. A minha não-desistência é o que de melhor posso oferecer a você e a mim neste momento. Pois isso, saiba, isso que poderá me matar, eu sei é a única coisa que poderá me salvar. Um dia entenderemos talvez." CFA

7 de julho de 2014

A verdade é que, no fundo (bem lá no fundo), apesar de todas as conversas e de todas as coisas que ouvi e falei naquela mesa aquele dia, não te sinto mais aqui. E dói. E sim, estou (muito) triste, apesar de não dizer dessa minha tristeza pra ninguém e de estampar um belo de um sorriso na cara.

3 de julho de 2014

era vidro e se quebrou.

porque se descobre, quando se é mãe, que nada e nem ninguém pode estar à frente dos seus filhos. e eu não falo de sangue. minha filha não é meu sangue e nada nem ninguém no mundo está à frente dela na minha vida. quando se decide ser mãe. junto com a decisão vem a dura escolha de olhar sempre pelos filhos. hoje fiquei sozinha. sem mãe. chorando na porta de minha casa. nunca mais serei a mesma.

1 de julho de 2014

já é julho.

um pé pra dentro nunca existiu na minha vida. entro logo com os dois. talvez seja isso. eu nunca entrei devagar no mar... sou daquelas que entra correndo, não importa se frio ou se quente. talvez tenha sido por isso. porque no fundo, eu sabia que só me faltava um lugar. e talvez por isso eu tenha custado tanto a encontrá-lo. Precisava perder o medo. Ela já estava aqui me transbordando de mim mesma há muito tempo. e aí percebo que não, eu não perdi o medo.

13 de abril de 2014

Sobre ontem (ou melhor, sobre meu amor pelos tambores)

      Desde que peguei em um tambor pela primeira vez, há um pouco mais de dez anos, nunca havia experienciado isso. Talvez por cuidar bem de meus tambores. Talvez por afiná-los sempre. Talvez por sempre conversar com eles e com suas peles. Talvez simplesmente por sempre ter trocado peles desgastadas e por agradecê-las a cada vez que as tirei de algum tambor. Pode parecer loucura, mas minha relação com meus instrumentos é profunda. Me aprofundo na relação com eles pra me aprofundar comigo mesma.

      O fato é que ontem, pela primeira vez, uma dessas peles que sempre me ouviu e que tantas vezes falou por mim, quis me dizer algo. E eu nunca tinha vivido um rompimento como esse. E como sempre, ela me respeitou. Me deixou dizer até o final, mas ali, na última música, como quem calou até onde pode, gritou. Se rompeu de fora a fora. Sem motivo. Sem quê nem pra quê. Nova. Afinada. Bem cuidada. Se rompeu como quem grita no ouvido de alguém que ama e não quis ouvir. Eu? me calei. Ela (a pele) sabe melhor que eu que eu a respeito mais do que a mim mesma. E talvez ela saiba também que só ela poderia, ou conseguiria, me dizer isso.

       Estou mexida, não triste. Foi dura a sensação. Vai ser difícil tirar a pele daquela arquilha e colocar outra. Vai ser difícil conversar e agradecer uma pele que precisou deixar de ser pra me dizer algo. Mas sigo inteira e feliz por saber que meus tambores sempre me ouviram e que estão comigo pra me dizer das coisas que eu preciso ouvir.

26 de março de 2014

22 de março

até que chega um dia em que você percebe que o seu pé está mais dentro do que fora e que você não tem mais como correr. e não é que você queira correr, na verdade isso nem passa pela sua cabeça, mas é que o simples fato de não poder, te faz sentir medo.