Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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20 de outubro de 2024

(des)aniversário

Minha avó me ensinou que quando tá chegando nosso aniversário os nossos ancestrais todos se reúnem pra decidirem, juntos, com o que vão nos presentear no dia em que viemos ao mundo.

Então, desde que eu era pequena, quando o meu aniversário ia chegando ela me perguntava: E aí, filha, já escolheu o que vai pedir? Quando escolher é só ir lá fora e conversar com eles no tempo.

Como boa libriana que sou, nunca me foi fácil fazer escolhas. Sempre pensava, pensava, pensava... E por muitas vezes Eles tiveram que escolher sem que eu pedisse.

Mas esse ano, vó, eu sei exatamente o que quero. E tô aqui me ajeitando pra sair nesse dia frio e chuvoso pra te dizer no tempo:

- Um abraço. O perdão. E a chance de não errar de novo com quem amo. Ela é minha família, vó, eu sinto, e eu não tô falando (só) de amor. 


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Eu conto os dias quando o aniversário das pessoas que amo está chegando como contei para o seu. Fico ansiosa, preparo presentes, surpresas... Aprendi com minha mãe a celebrar a existência dos que amo!

(SONHEI)

- Posso te pedir um presente?

-  ...

- Um abraço de silêncio e a certeza de que tu não soltou minha mão. 

(Mas só se for verdade. E se peço, é porque no fundo eu sei que é.)

19 de outubro de 2024

Carta que não foi.

Ontem me perguntaram sobre você: Fingi saber e disse que tu tava trabalhando muito, na correria... E aí me lembrei:

Sabe o que eu mais queria aquela noite?

Ter te dado um beijo, um abraço e te mostrado a importância que tu tem em minha vida, como sempre fiz.

Mas, sabe, eu escolhi te respeitar. Eu escolhi não me aproximar quando você me viu chegar e saiu de perto. Eu só ia te dar oi, nada mais que isso. Mas quando vi que escolheu sair, eu escolhi te escolher. E quando cada vez que me via próxima, saia, desviava, fui engolindo seco a tristeza e então, te respeitei e me mantive distante. Tentava não te olhar, mesmo querendo saber se tava bem. Tentava não me importar mesmo sabendo que o que mais queria era saber se tava se importando.

Porra, estar ali contigo e não poder te dar um abraço foi das piores sensações que já senti. Mas foi por te respeitar e te amar, creia! E a todas as pessoas que vinham falar comigo dizendo algo sobre você, eu fingia que tinha acabado de falar contigo e que tava tudo bem... Se tu soubesse o quanto ninguém tem ideia das coisas, tu entenderia o quanto é difícil me manter em silêncio.


9 de outubro de 2024

Sobre Buracos e Ressaca Moral



Ontem voltando pra casa eu caí num buraco.

Sabe aquele buraco que tu sabe que tá ali, que tá tão acostumada com ele que naturalmente seu corpo desvia? Então... Ontem eu caí nesse buraco. 

Mas é que cair num buraco desses é quase que uma escolha (in)consciente ou seria inconsequente? Não sei. Só sei que cai no buraco. E foi uma queda lenta e sem controle, mas que me parecia absolutamente controlada na hora. Poucas pessoas viram. Acredito que três. Mas foi o suficiente pra eu me sentir a pior pessoa do mundo. Buracos tem dessas. Fazem a gente se ver por ângulos que preferimos esconder.

Eu amo buracos. Amo me relacionar com buracos e colorir e preencher e olhar pra eles com amor e o devido cuidado. Mas ontem eu não vi o buraco e caí. Talvez porque ele não estivesse colorido o suficiente ou talvez porque fosse pra cair mesmo. As coisas são como tem de ser. 

Eu não bebo. Coca cola e coração são suficientes pra alterar os compassos de meus passos e me fazerem cair nas ciladas que eu mesma me coloco e buracos estão sempre por aí, é preciso atenção.

E antes que alguém se preocupe, tá tudo bem... o joelho só tá ralado na altura que bate a corda da alfaia! 

E nem doeu (tanto)!