Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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3 de julho de 2021

Sempre que preciso me lembrar quem sou e a força que tenho, eu revisito essa foto.

E eu poderia revisitar qualquer foto da minha infância, da minha avó, da minha mãe ou da minha irmã... Mas por algum motivo revisito essa.

Com toda dor que ela contém. Com todo amor que ela contém.

Olhando pra ela eu me lembro quem sou. 

Me lembro que cada lágrima que escorre, me permite reconstruir caminhos. Me lembro que o abandono não é falta de amor ao outro, mas sim falta de amor a si mesmo. Me lembro que é na lealdade que acredito e não na fidelidade. Me lembro de meus pés descalços e com frio, mas aquecidos pelo solo sagrado. Me lembro do medo. Me lembro da alegria. Me lembro da dor de quando ouvi um não profundo da boca que esperava ouvir amor. Me lembro das mãos que me acolheram. E das mesmas mãos que me soltaram quando perdi o chão.

Me lembro do dia em que perdoei mesmo sabendo que não tinha sido ouvida. Me lembro do abraço de Ogum. Do abraço de Xangô. Do abraço de Ode.  Nessa ordem. 

Viver é aprendizado contínuo. Mas é tambem cíclico e traicoeiro. Não aprendeu? Cai de novo. Até firmar bem as pernas e conseguir caminhar contra a maré ou entender que não precisa de tanta força se respeitar o fluxo... Mas que por muitas vezes vai precisar da força pra ir contra ele.

Olhando pra essa foto eu me lembro quem sou e quem não sou. Me lembro que ninguém pode me dizer quem e como sou. E que "ninguém atira pedras em árvore que não dá frutos". 

Se eu pudesse escrever uma mensagem pra Luciana criança eu diria: "Cuida da sua auto estima, menina! Cuida de você! Tua existência incomoda muita gente mas não é culpa sua. Deixa a culpa aí é vai embora sem ela!" Mas por algum motivo essa mensagem nunca chegou. 

Às vezes, retirar-se é a única forma digna de demonstrar amor. Mas às vezes é só o medo te fazendo, mais uma vez, abrir mão de um espaço que é seu. E o que é seu, é seu. Não tem quem tire. E nem se deve abrir mão... Mas isso acho que ainda não aprendi.

Voltando à foto, que alguns vão achar linda e outros um absurdo ela estar postada aqui... Eu digo sem medo: uma foto de amor e dor. De amor ao sagrado. De amor à honra. De amor ao Orixá. 

Eu poderia aqui nomear cada pessoa da foto e dizer quem são ou deixaram de ser em minha vida e marcar um ou outro, mas essa não é uma postagem pra dizer quem é quem. É sobre mim. É sobre minha história. É sobre o axé que carrego desde que nasci e sobre o axé que me confiaram quando renasci. 

Eu sei quem sou quando me sento no chão.

E história não se apaga rasgando fotos.

14 de fevereiro de 2021

O Carnaval! A tal da festa da carne...

Por aqui o ano começa no Carnaval e termina depois dele.

O Carnaval que pulsa tanto em mim desde que me conheço por gente! 

O Carnaval da infância nas escolas de samba de São Paulo... O Carnaval da herança de pai e mãe que brilha os olhos na foto mágica do casal cheio de felicidade e amor do qual sou fruto, apesar de não tê-lo conhecido... 

O Carnaval dos blocos e becos e vielas... O Carnaval dos Maracatus... O Carnaval dos sorrisos, dos afetos, dos amores...

O não ter Carnaval esse ano significa tanto pra mim!

Logo eu que sorri tanto comemorando e amando tanto em tons de roxo e amarelo nos últimos...

Um amor nascido no Carnaval. Vivido nos carnavais. Um amor de pureza. Cheio de erros, mas com tantos acertos... Amor de Carnaval, como dizem... Mas não como julgam... Um amor que de tanto brilhar se fez luz e decidiram apagar.

Um amor abençoado pelo carnaval. Eu vivi um amor abençoado pelo Carnaval! Abencoado pelo samba, pelo maracatu e pelas marchinhas! Abençoado pelo glitter! Abencoado por bandeiras e estandartes! Do inicio ao fim.

Mas assim como o Carnaval, ele se foi numa quarta feira cinza, de cinzas num triste mês de março que já foi de tantas alegrias, mas que teimou em ser de tristeza no ano que passou.

E a quarta feira se transformou em dias cinzas pra que eu aprendesse a (re)colorir a vida.


PAUSA.


Poderia ser um ano qualquer... mas minha rainha maior também escolheu ir. Ela que fazia o mês de março ser de alegrias e comemorações.

Fevereiro se aproximou e meu coração foi ficando pequeno e aflito... O impulso pulsante das alegrias dos carnavais vividos se misturando com os medos e as ausências presentes nas memórias de amor e alegrias...

E NÃO VAI TER CARNAVAL.

E pode parecer arrogância ou ego demais dessa amante do Carnaval, mas às vezes parece até o universo respeitando meu tempo... pra que a alegria possa voltar a brilhar em roxo e amarelo no meu coração.

Feliz Carnaval!