Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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27 de julho de 2022



Daylla. A menina que não sorri. É pura contradição dizer isso revelando aqui esses registros, mas... é de fato difícil arrancar um sorriso dela. Mas é que talvez a questão seja essa... 
Arrancar. Sorriso não se arranca, não se pede... Sorriso acontece. Sorriso é troca. E, porque incomoda tanto a menina que não sorri? Você já se perguntou porque a menina não sorri? Não tô falando sobre perguntar a ela. Tô falando sobre se perguntar. 

Porque ela não te sorri? Já se perguntou o quanto pode ser dolorido ser a menina que não sorri? E o quanto está constrangendo a menina ao dizer e reafirmar e perguntar e se importar que ela não sorri? Você realmente se importa? Ou só quer que ela sorria pra você se sentir melhor? 

Você já parou pra pensar que a menina que não sorri talvez seja apenas uma menina de alma transparente e que não sorri sem vontade? Já parou pra pensar que a falta de sorrisos pode carregar dores? Traumas? Já parou pra pensar nela? A menina que não sorri tem sorriso largo, quando o mundo lhe cabe. A menina que não sorri, tem sorrisos nos olhos profundos. 

Mas... você já reparou nos olhos dela? Você já parou pra olhar e pensar no quanto esses olhos carregam silêncios? Há alegria no silêncio. Há sorrisos no silêncio. E também não há. Então, escute. Respeite. E como diz o coco que a tia dela fez: "Mas deixa Dadá..." 

identificação substantivo feminino 1.ato ou efeito de identificar(-se). 

Eu já fui a menina que não sorri. Eu sou. E, sim, o não sorriso pesa. Porque não é que o sorriso não existe, ele existe, e existe com uma força tremenda até, mas quando ele não existe (e pra quem ele não existe), ele não existe. E ponto.

4 de julho de 2022



Uma vez uma mais velha me disse que tem gente que a gente consegue se conectar a ponto de enxergar a essência. Uma outra mais velha, certa vez, me falou enquanto eu perguntava sobre como eu poderia falar com as entidades que eu mesma incorporo, que se a gente olhar bem em volta, a gente encontra com elas. 

Um professor de fotografia me ensinou que a gente retrata no outro o que de profundo tem na gente ao olhar pra pessoa. Eu, menina. Eu, mulher. Retrato pra dizer de mim? Ou retrato pra revelar o que há de mim no outro? Saber é ancestralidade... então é busca, é conexão. 

Nesta foto te vejo menina e te vejo mulher. Te vejo imensa e bem pequenina. Te vejo olhando de cima e te vejo se sentando pra olhar de baixo. A humildade faz parte da alma, penso eu... é essência.

Sou grata por me permitir te ver essência. Agradeço sua existência.