Daylla. A menina que não sorri. É pura contradição dizer isso revelando aqui esses registros, mas... é de fato difícil arrancar um sorriso dela. Mas é que talvez a questão seja essa...
Arrancar. Sorriso não se arranca, não se pede... Sorriso acontece. Sorriso é troca.
E, porque incomoda tanto a menina que não sorri?
Você já se perguntou porque a menina não sorri? Não tô falando sobre perguntar a ela. Tô falando sobre se perguntar.
Porque ela não te sorri? Já se perguntou o quanto pode ser dolorido ser a menina que não sorri? E o quanto está constrangendo a menina ao dizer e reafirmar e perguntar e se importar que ela não sorri? Você realmente se importa? Ou só quer que ela sorria pra você se sentir melhor?
Você já parou pra pensar que a menina que não sorri talvez seja apenas uma menina de alma transparente e que não sorri sem vontade? Já parou pra pensar que a falta de sorrisos pode carregar dores? Traumas? Já parou pra pensar nela?
A menina que não sorri tem sorriso largo, quando o mundo lhe cabe. A menina que não sorri, tem sorrisos nos olhos profundos.
Mas... você já reparou nos olhos dela? Você já parou pra olhar e pensar no quanto esses olhos carregam silêncios? Há alegria no silêncio. Há sorrisos no silêncio. E também não há.
Então, escute. Respeite.
E como diz o coco que a tia dela fez: "Mas deixa Dadá..."
identificação
substantivo feminino
1.ato ou efeito de identificar(-se).
Eu já fui a menina que não sorri. Eu sou. E, sim, o não sorriso pesa. Porque não é que o sorriso não existe, ele existe, e existe com uma força tremenda até, mas quando ele não existe (e pra quem ele não existe), ele não existe. E ponto.
