Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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31 de dezembro de 2022







2022 chegou ao fim. O ano em que a pandemia acabou (só que não). O ano em que a tristeza passou (só que não). O ano em que o amor venceu (só que não. Pelo menos não o meu...). O ano em que não era mais possível ser ainda mais doloroso simplesmente por ser de verdade e não ter medo de mostrar-se por inteira. (Só que não)


Esse não é um texto bonitinho sobre 2022. Porque assim como 2020 e 2021, 2022, pra mim, foi um ano duro. A solidão se apresentou cada vez com mais força e a cada dia com uma face. E não, eu não tô falando (só) sobre o óbvio.


2022 foi (mais um) ano que eu preferia não ter vivido. Solitário. Seco. Mais um ano sem desejo. Sem vontade. Sem amor, mas com muito.


2022 não foi o ano em que me apaixonei. Mas foi o ano em que entendi que o tipo de amor que eu sei amar talvez seja puro demais pra esse mundo onde vivo. Em 2022 eu entendi que o amor (por mais que recíproco) se não couber na caixinha social, não pode ser vivido. 2022 foi mais um ano de mentiras olhando nos olhos. Foi mais um ano de engolir o desejo e de ver o desejo de outras pessoas ser engolido. Aprendizado. Não é que não sou desejada ou amada. Não posso ser. Seja porque o padrão social não permite. Seja porque falta coragem às pessoas. E tudo bem, a gente sempre pode encontrar outros amores por aí... Mas o que a gente quer viver é o que é de verdade. E mesmo entendendo, dói igual.


E não. Eu não tô falando só sobre amor romântico. Mas também.


2022 foi o ano que eu entendi que o problema não está em mim apesar de ser em mim que ele dói (e muito). Foi o ano em que (mais uma vez) fui apontada e "maldizida" por ser real, por ser leal. 2022 foi o ano em que a saudade pegou fundo e eu parti. 2022 foi o ano em que voltei (só porque não podia ficar). Foi o ano em que eu mais desejei ir embora. Mas não fui. 2022 foi o ano em que eu não quis ir embora, mas precisei.


2022 eu quase morri uma vez. Duas vezes. 7 pontos eu tenho na perna desde 2021. Mas... e daí? Eu sou forte. Sigo na caminhada. Parece piada pra mim. 2022 o ódio seguiu me olhando nos olhos disfarçado de "eu até gosto de você!".


2022 foi cruelmente certeiro ao me mostrar que eu sou absolutamente capaz de perder as pessoas que mais amo por ser explosivamente sincera. E perdi (mesmo sem perder). E doeu. E dói.


2022 foi (mais um) o ano em que deixaram de confiar plenamente em mim pela palavra alheia. 2022 foi (mais um) o ano em que não fui ao menos questionada sobre o que se decidiu sobre quem (acham que) sou.


2022 foi o ano em que minha fé foi testada e re testada, assim como meu equilíbrio e minha paciência. Aguentei. Eu cultuo Orixás e não pessoas. Decidir e agir dentro de si é muito maior que qualquer mudança externa.



2022 chega ao fim com gosto de fracasso. Mas fracasso também serve pra gente reaprender o caminho e reacender a chama.


2022 chegou ao fim e eu desejo profundamente que, junto com ele, tudo o que me afligiu e consumiu nos últimos 3 anos vá pra muito longe.


Nessa foto a planta tá forte e renascendo. A planta que ganhei por ser lembrada estava quase morta aquele dia. Ainda caiu no chão... Eu tive que ir. Tive que voltar. Eu não deixei ela pra trás. Eu deixei ela no lugar que tem me sido refúgio de (uma mínima) felicidade. E ali, pelas mãos cuidadosas que acolhem com verdade por mais que duras e até grosseiras as vezes, ela renasceu.


Sou grata. Ela sou eu. Desejo. E sinto que talvez ela só tenha renascido porque ela não precisou voltar, como eu. Pode não parecer, mas essa planta aí representa desde a verdade do que não pôde ser dita, mas que é sentida no entrelace dos olhos até o desejo de não precisar (mais) ir.


2023 tá aí batendo na porta. E eu só desejo que seja leve! E de verdades!

27 de julho de 2022



Daylla. A menina que não sorri. É pura contradição dizer isso revelando aqui esses registros, mas... é de fato difícil arrancar um sorriso dela. Mas é que talvez a questão seja essa... 
Arrancar. Sorriso não se arranca, não se pede... Sorriso acontece. Sorriso é troca. E, porque incomoda tanto a menina que não sorri? Você já se perguntou porque a menina não sorri? Não tô falando sobre perguntar a ela. Tô falando sobre se perguntar. 

Porque ela não te sorri? Já se perguntou o quanto pode ser dolorido ser a menina que não sorri? E o quanto está constrangendo a menina ao dizer e reafirmar e perguntar e se importar que ela não sorri? Você realmente se importa? Ou só quer que ela sorria pra você se sentir melhor? 

Você já parou pra pensar que a menina que não sorri talvez seja apenas uma menina de alma transparente e que não sorri sem vontade? Já parou pra pensar que a falta de sorrisos pode carregar dores? Traumas? Já parou pra pensar nela? A menina que não sorri tem sorriso largo, quando o mundo lhe cabe. A menina que não sorri, tem sorrisos nos olhos profundos. 

Mas... você já reparou nos olhos dela? Você já parou pra olhar e pensar no quanto esses olhos carregam silêncios? Há alegria no silêncio. Há sorrisos no silêncio. E também não há. Então, escute. Respeite. E como diz o coco que a tia dela fez: "Mas deixa Dadá..." 

identificação substantivo feminino 1.ato ou efeito de identificar(-se). 

Eu já fui a menina que não sorri. Eu sou. E, sim, o não sorriso pesa. Porque não é que o sorriso não existe, ele existe, e existe com uma força tremenda até, mas quando ele não existe (e pra quem ele não existe), ele não existe. E ponto.

4 de julho de 2022



Uma vez uma mais velha me disse que tem gente que a gente consegue se conectar a ponto de enxergar a essência. Uma outra mais velha, certa vez, me falou enquanto eu perguntava sobre como eu poderia falar com as entidades que eu mesma incorporo, que se a gente olhar bem em volta, a gente encontra com elas. 

Um professor de fotografia me ensinou que a gente retrata no outro o que de profundo tem na gente ao olhar pra pessoa. Eu, menina. Eu, mulher. Retrato pra dizer de mim? Ou retrato pra revelar o que há de mim no outro? Saber é ancestralidade... então é busca, é conexão. 

Nesta foto te vejo menina e te vejo mulher. Te vejo imensa e bem pequenina. Te vejo olhando de cima e te vejo se sentando pra olhar de baixo. A humildade faz parte da alma, penso eu... é essência.

Sou grata por me permitir te ver essência. Agradeço sua existência.

6 de junho de 2022



Eu poderia falar sobre exu. Poderia falar sobre fotografia. Poderia falar sobre o fazer das mãos. Poderia falar sobre tantas coisas que esse retrato me traz. 
Ah, poderia também falar sobre retratar sem fotografar o óbvio... E vou. Vou falar sobre tudo isso. Preciso. Porque eu tô entalada. Porque eu to machucada. 

Eu preciso falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que acredito. Sobre a lealdade de exu. Sobre a lealdade que carrego em cada passo que dou. E dói. 

Eu aprendi com a fotografia que a gente fotografa o que a gente é. Que a gente fotografa o que a gente quer dizer. E que quando retrata o outro, ficam registradas as relações. 

Eu sempre tive medo de me deixar fotografar. E, confesso, fotografar o outro me é também um desafio. Relação. Olhar o outro e buscar o belo. Mas não necessariamente o belo que eu vejo e sim o belo que o outro deseja ver de si. Talvez retratar as vezes seja mentir. 

Recuo. 

Mas eu vim aqui falar sobre lealdade. Sobre a lealdade que vejo e recebo por essas mãos. Eu vim aqui dizer da minha eterna busca pelo ser leal... aos meus. E a mim. Há dias estou tentando escrever esse texto e ele não sai. Ele só me vem à mente quando não posso anotar... seria uma auto sabotagem ou seria apenas minha busca por ser leal a mim agindo?

24 de maio de 2022




"Tudo que é feito à sombra, um dia encontra a luz." 
Quem emana luz demais, assusta. Se torna perigo pra quem vive à sombra. 

O poder do tempo talvez seja a única certeza de nossas vidas. Confiar em quem se é quando te apontam com maldade é a única escolha possível de lealdade consigo e com o outro. 

A mesma luz que ilumina, cega. Mas se não se tem luz, é possível se ver? Enxergar à luz do outro pode ser tão lindo quanto perigoso. E depender da luz do outro pode ser tão perigoso quanto deixar que sua própria luz ilumine só aos outros e te esconda. 

Na foto sem filtro, a chamada "folha da fortuna" que de uma folha se refaz em muitas e brota. Salve o poder das folhas!

4 de maio de 2022

Aprender a caminhar com quem de fato caminha ao nosso lado. 
Entender que pessoas manipuláveis podem ser tão perigosas quanto as que manipulam. 

Enxergar (por maior que seja a dor) que tem gente ao nosso lado por conveniência sim. 

Afastar-se de quem nos deseja qualquer maldade, por menor que seja. 

E principalmente fugir de quem deixa de ser, sentir e viver as próprias verdades por medo do julgamento alheio.

4 de abril de 2022

No jardim da minha casa tenho no canteiro uma trepadeira "Lágrima de Cristo". Quem conhece minha casa sabe que eu tenho um pé de boldo imenso. 
Foi uma mudinha que minha avó me deu. Se eu não presto atenção, a trepadeira vai crescendo, se pendurando, sufocando e começa a matar o boldo. Já tentei matar a trepadeira de todas as formas que conheço, até água fervendo na raiz já joguei (me julguem!) e ela não morre de jeito nenhum. Até pra minha avó eu pedi receita pra matar a planta. Foi nesse dia inclusive que descobri o nome dela e que minha avó era louca por uma mudinha. Eu dei. Mas nunca consegui matar a planta. 

Toda vez que vou podar, eu podo no talo, pra matar, tiro tudo o que vejo da trepadeira, mas depois de um tempo, lá está ela de novo. Ela vai subindo devagar e sem ninguém ver... quando percebo e se deixo de cuidar por um tempo, ela se espalha, cresce e dá uma flor linda! 

A flor é linda! Mas ela precisa sufocar e matar o boldo pra dar flor. E o que eu cultivo é o boldo. 

A natureza é didática e cirúrgica em seus ensinamentos. 

E a vida é feita de escolhas. 

O boldo sou eu. São os meus. 

 A trepadeira... deixa pra lá!

9 de março de 2022

Hoje não é 8M.

Há semanas eu estou digerindo um assunto e, confesso, pensei em escrever pra postar ontem, mas 8 de março é um dia indigesto pra mim. 
Vamos falar de BBB? Sim, eu assisto e gosto. Mas mesmo que me julgue por isso, por favor, não pare aqui. Porque na verdade nunca é só sobre o BBB... Eu não quero falar da Jade, que saiu ontem. E também não vou falar da minha preferida, a Linna (pelo menos não agora). Hoje eu quero falar da Brunna. Mas... quem é a Brunna? Teve Brunna no BBB? A Brunna, aquela... A namorada da Ludmila. 
Agora sim. Agora todos sabem quem é a Brunna. Mas... Quem foi a Brunna no BBB? A menina quieta. A que soltava frases curtas, mas sempre diretas e muitas vezes cirúrgicas. Aquela que foi chamada e tachada de planta pela edição e pelos expectadores. Aquela... a que mal existia. A que saiu só porque, por acaso caiu no paredão. 

Dizem que não fez história lá dentro... Mas será que nao fez mesmo? Ou será que a gente que não viu? Eu confesso que esperava ver mais. Ela tinha minha torcida quando eu soube que ela ia entrar. Representatividade que fala né? Mas aí ela entrou... E a gente só via a Brunna deitada, sentada, quieta... Não! Mentira. Vez ou outra ela aparecia dançando... Ali no fundo... Hora ou outra em destaque... tipo no show da Ludmila. Mas não quero falar sobre a Brunna dentro da tal casa. Quero falar dela fora. Dentre tantas coisas divulgadas na saída dela, duas me chamaram muita atenção: 

1.Numa das primeiras declarações que a Brunna deu quando saiu, ela disse "Eu estava com medo do que as pessoas pudessem achar de mim, porque certas atitudes podem refletir nela." 

2. Um vídeo que viralizou dela e Ludmila saindo de um avião particular. Na chuva um segurança aguarda com um guarda chuva, Ludmila passa reto... Ela logo atrás vem e aí sim o segurança acompanha. E a postagem diz algo do tipo "Com uma vida dessas, Brunna foi fazer o que no BBB?" 

Mas vamos olhar pro todo... Vamos olhar pra Brunna! Vamos olhar a Brunna de dentro da casa e a Brunna de fora? Horas separam as duas Brunnas. E, pasmem, a Brunna agora é um mulherão. Leve. Solta. Sorridente. Sem medo. E foi aí que comecei a me perguntar: Onde estava essa Brunna? Será que a garantia de que sua existência na casa não tinha prejudicado a imagem da namorada aqui fora era tão importante assim? E isso me pesou tanto. E tanto. Porque quem não quer ser "a de fé" ou "a preferida" de alguém, não é mesmo? Eu quero. Todo mundo quer... Daí a música é sucesso. E todo mundo acha lindo. E os casais começam a usar pra se declarar... A Brunna chora quando ouve a música... Ouço a música. Canto. A música me toca. É lindo ganhar uma música de presente. Eu sei. Já ganhei. Já fui a de fé. A preferida. E que lindo ver um casal apaixonado! Mas... E a Brunna? Quem é a Brunna? A namorada da Ludmila. Não! Não! Eu quero saber quem é a Brunna. A namorada da Ludmila eu já sei quem é. E não, eu não tô aqui pra criticar ninguém tá? E muito menos tô duvidando do amor de uma pela outra. Não mesmo. Nunca. Eu acho as duas um casal maravilhoso. São referência pra muitas meninas que amam outras meninas e precisam de referências pra existirem de forma menos dolorida nesse mundo. 

E aí me pesa. De novo. Dura e profundamente. Porque eu já fui o casal referência. Eu já fui admirada por gente que eu nem sabia que sabia da minha existência porque eu era "a de fé", "a preferida". E não to reclamando não. É bom se sentir assim. Mas... Quem é a Brunna? E aí vem tanta coisa na minha cabeça... que já nao é mais sobre a Brunna ou sobre a Ludmila, mas é. Que já não é mais sobre mim, mas é também. 

Porque vejo tanta gente sendo feliz nas redes sociais. Vejo tanta gente se amando. Mas ao mesmo tempo parece que agora eu tenho um olhar mais crítico sobre certas coisas... Porque às vezes eu olho essas mesmas postagens e penso... É tanta gente querendo mostrar que o outro é seu. É tanta gente querendo ter ou ser "a de fé", "a preferida" de alguém... E sim, precisamos nos sentir amadas e desejadas. Mas não precisamos ser troféu de ninguém pra nós sentirmos amadas. E nem precisamos de troféu pra dizer pro mundo que temos amor... 

Enfim... Sigo pensando.

11 de janeiro de 2022

A FAMOSA E TEMIDA AUTO ESTIMA


Pra mim, auto estima não é sobre Roupa. Brinco. Colar. Pulseira. Anel. Cabelo arrumado. Sobrancelha feita. Maquiagem. Filtro na foto. Closes e mais closes. Isso é escudo. Com tudo isso na frente parece até mais fácil a gente se sentir bonita... Ou não. Nunca me acostumei com esses escudos sociais. 

Pra mim "o termômetro" da auto estima é quando você deita pra dormir e se despe de tudo... Quando está suada e cansada depois de um dia cheio e se deita só pra esticar a coluna antes de tomar o banho do final do dia... Sozinha, sem platéia e sem apoio. E nessa hora, como você se sente? Essa foto foi de agora. Pra afrontar a auto estima mesmo. Exatamente nessa hora. Cansada. Sem filtro. Com a pele brilhando oleosa de fim do dia... Boa noite.