Eu não sei bem se eu queria nunca mais te ver ou se eu queria saber onde você vai estar pra ir até você e olhar bem no fundo dos seus olhos pra saber se você dá conta. isso porque a minha insegurança me diz o quanto eu sou pior que você mas lá no fundo eu sei que se eu me encontrar com meu eu mais profundo só a minha presença já te desmoronaria. sim, eu sei ser cruel. eu queria mesmo era saber o que você sente e pensa sobre isso tudo que está acontecendo. queria saber como você se sentiria ao saber que eu só consigo chorar desde que o meu mundo desmoronou na minha frente e que você ajudou a demolir isso tudo que eu venho construindo há tantos anos. e olha, eu não to falando só dos últimos cinco anos não. eu to falando de uma vida inteira. eu to falando da minha construção como ser humano. da minha construção como mulher. como mulher artista. como mulher batuqueira (porque percussionista é coisa de quem acha que filho e consideração cabem na mesma frase - e eu sei que você não pensa isso, não ache que não. é só a minha raiva que está aqui procurando motivos pra te apontar o dedo-. eu sou batuqueira porque eu não preciso florear o que pulsa em mim. posso simplesmente viver e ponto.). eu ando dizendo por aí que a última coisa que eu queria era te ver. e que se eu te encontrasse por aí não saberia do que sou capaz. mas, sabe, na verdade, se eu te encontrasse eu ia ter que engolir o choro e agora falando a verdade mais pura que tenho dentro de mim, eu não sei se seria capaz de falar com você. porque não, eu não vou te tratar mal. eu não quero. você merece a minha mais fina e polida educação. coisa que você não me deu. sabe, quando eu te conheci fui com a sua cara e fiquei tão feliz porque eu sou chata e porque era uma amiga do maior amor da minha vida com que eu estava me dando bem e encontrando afinidades. você viu na minha cara, na minha espontaneidade aquele dia naquele bar quando você estava passando na rua e eu te vi. e foi tão espontâneo que chegou a ser engraçado. você viu naquele dia na festa da fogueira o quanto eu me abri pra me dar bem com a amiga da mulher que amo. você viu. e exatamente porque no fundo eu sei o quanto você é um ser humano bem humano, eu fico aqui me perguntando o como você se sente. e no fundo eu queria que você estivesse se sentindo mal. se sentindo uma bosta. porque na verdade, eu gosto de você e eu queria que você fosse no mínimo solidária com o que eu to sentindo agora. veja bem, eu não estou escrevendo tudo isso porque quero fazer com que você se sinta mal. não. eu só queria ter certeza de que você realmente se importa. porque eu quero que fique tudo bem. porque eu quero voltar a ter o desejo de estar perto dos amigos da pessoa que amo. porque eu quero que a pessoa com quem divido a minha vida possa estar com quem ela gosta, com quem se sente bem. eu quero poder voltar a dizer pra Ela que talvez seja você a pessoa que deveria ler aquele texto que eu tanto amo e que tanto me representa e que eu sei que ela sonha em encenar. enfim, te escrevo pra tentar tirar pelo menos um pouco de dentro de mim esse sentimento que está me matando.
com amor e ódio, Luciana.
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