23 de dezembro de 2014
Eu, yawo.
Eu não tive câncer. Eu não peguei piolho. Meu cabelo não caiu. Eu me iniciei no Candomblé. Por escolha, por fé e por amor ao orixá que me escolheu. Foram três meses muito especiais, de muito amor e muito gratificantes, mas muito difíceis.
Só eu sei quantas pessoas me pediram a benção na rua, quantas pessoas me disseram que eu estava linda, quantos “motumbas” escutei e o quanto me emocionei com cada um deles. Mas também posso dizer que sim, eu sofri preconceito.
Fui agredida física e verbalmente algumas vezes simplesmente porque estava vestida de branco, com pano na cabeça e meus fios de contas no pescoço andando pelas ruas. Ouvi diversas vezes que “Jesus vai me salvar”. Só eu sei quantos taxis não pararam pra mim, quantas vezes a cadeira ao meu lado ficou vazia no ônibus ou no metrô, quantas caras feias eu recebi... Saí de um emprego porque não aguentava mais ser ignorada por colegas que sempre me trataram bem, porque passaram a confiar menos em mim profissionalmente... Mas segui. E sigo numa luta silenciosa contra esses preconceitos idiotas.
Agradeço a todos e a cada um de minha família, de minha família de santo e de meus amigos que estiveram e estão ao meu lado nesse processo seja de longe ou de perto!
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