Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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13 de abril de 2014

Sobre ontem (ou melhor, sobre meu amor pelos tambores)

      Desde que peguei em um tambor pela primeira vez, há um pouco mais de dez anos, nunca havia experienciado isso. Talvez por cuidar bem de meus tambores. Talvez por afiná-los sempre. Talvez por sempre conversar com eles e com suas peles. Talvez simplesmente por sempre ter trocado peles desgastadas e por agradecê-las a cada vez que as tirei de algum tambor. Pode parecer loucura, mas minha relação com meus instrumentos é profunda. Me aprofundo na relação com eles pra me aprofundar comigo mesma.

      O fato é que ontem, pela primeira vez, uma dessas peles que sempre me ouviu e que tantas vezes falou por mim, quis me dizer algo. E eu nunca tinha vivido um rompimento como esse. E como sempre, ela me respeitou. Me deixou dizer até o final, mas ali, na última música, como quem calou até onde pode, gritou. Se rompeu de fora a fora. Sem motivo. Sem quê nem pra quê. Nova. Afinada. Bem cuidada. Se rompeu como quem grita no ouvido de alguém que ama e não quis ouvir. Eu? me calei. Ela (a pele) sabe melhor que eu que eu a respeito mais do que a mim mesma. E talvez ela saiba também que só ela poderia, ou conseguiria, me dizer isso.

       Estou mexida, não triste. Foi dura a sensação. Vai ser difícil tirar a pele daquela arquilha e colocar outra. Vai ser difícil conversar e agradecer uma pele que precisou deixar de ser pra me dizer algo. Mas sigo inteira e feliz por saber que meus tambores sempre me ouviram e que estão comigo pra me dizer das coisas que eu preciso ouvir.

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