Minha avó me ensinou que quando tá chegando nosso aniversário os nossos ancestrais todos se reúnem pra decidirem, juntos, com o que vão nos presentear no dia em que viemos ao mundo.
Então, desde que eu era pequena, quando o meu aniversário ia chegando ela me perguntava: E aí, filha, já escolheu o que vai pedir? Quando escolher é só ir lá fora e conversar com eles no tempo.
Como boa libriana que sou, nunca me foi fácil fazer escolhas. Sempre pensava, pensava, pensava... E por muitas vezes Eles tiveram que escolher sem que eu pedisse.
Mas esse ano, vó, eu sei exatamente o que quero. E tô aqui me ajeitando pra sair nesse dia frio e chuvoso pra te dizer no tempo:
- Um abraço. O perdão. E a chance de não errar de novo com quem amo. Ela é minha família, vó, eu sinto, e eu não tô falando (só) de amor.
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Eu conto os dias quando o aniversário das pessoas que amo está chegando como contei para o seu. Fico ansiosa, preparo presentes, surpresas... Aprendi com minha mãe a celebrar a existência dos que amo!
(SONHEI)
- Posso te pedir um presente?
- ...
- Um abraço de silêncio e a certeza de que tu não soltou minha mão.
(Mas só se for verdade. E se peço, é porque no fundo eu sei que é.)
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