Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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6 de setembro de 2020




Sol nas costas pra secar as lágrimas que inundam meu peito.
Dias duros de solidão.
Por detrás das grades, olho pra dentro de mim e me re-conheço. 
Recomeço minha história comigo mesma. 
Agora, enxergo através de cada gota de mar que sai de meus olhos. Me desfaço em maré cheia... me recolho... tomo fôlego como quem respira melhor debaixo d'água e sigo. 
Pra onde? Por onde? A regra agora é ficar em casa. "Mas as regras foram feitas pra serem quebra.." Não. Eu faço minhas regras. Fico em casa.
Mas... que casa? Meu corpo casa fluxo feminino está despedaçado. 
De pé na maré alta, firmo os pés na areia fofa e molhada que insiste em tentar me tragar pra baixo e recolho cada pedacinho da mulher que fui para construir a mulher que serei. Sem deixar nenhum caquinho no chão, me remonto inteira. 
Mas... e o que me foi levado? E os pedaços que me foram arrancados? Crio vãos assustadores que aos poucos se transformam em espaços que me ajudam a me manter de pé.
Pés... Me lembro que foi minha família, clã de mulheres guerreiras que me ensinou a dar os primeiros passos. Um depois do outro. Fazendo do medo meu maior aliado.
Porque logo eu que sempre fui líquida,  passei os últimos 35 anos buscando ser sólida? A solidez da sociedade patriarcal.
Será que solidão vem de solidez? Já não importa... Sigo firme e forte como a água que corre por entre as pedras sem medo de ser prisioneira.

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