Na foto: Praia de Boa Viagem - Recife - PE, clicada por mim em 25/01/2010

"Quando estou mudo, quero dizer tudo."

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19 de maio de 2011

V.

(isso não é um bom texto, é apenas um desabafo inacabado de ontem a noite)

Uma menina que me encantou no primeiro encontro. Mas me encantou de um outro encanto, de um encanto de outra ordem. um encanto maternal, talvez. Me deu medo. Cheguei a desconfiar de mim mesma quando dizia, não, não é isso. Mas fui me acostumando. Me apeguei. Ela é arredia. Séria. Parece um gato. Daqueles que te deixa chegar perto, fazer carinho, mas pode se incomodar e fugir a qualquer momento. Te atacar, talvez. Acho que isso ela não faria. Não sei. Não a conheço. O fato é que ela é linda. E não é linda de beleza comum, é linda de beleza difícil. Uma menina. E nela eu vejo a menina que fui. Diferente, mas fui. Ela cala o que sente. Diz nos olhos. Acha que ninguém ouve, eu a ouço. Ela diz que não, acha que me engana, mas eu ouço. Eu vejo nos olhos dela as lágrimas que ela não chora, porque sei como é ter lágrimas que não saem.
Eu queria poder tirar isso tudo daí, menina. Queria poder te dizer que o mundo é fácil, que perder pessoas é fácil, mas eu estaria mentindo. E isso eu aprendi a não fazer e saiba, menina, que foi um aprendizado e tanto e bem dolorido. Queria te dar uma carta. Porque no dia em que você sumiu foi que eu me dei conta desse amor que guardo por você. E as pessoas estranharam e julgaram, é claro. Mas deixo que julguem, já me acostumei. E quando você re surgiu, eu saí, num domingo frio, debaixo das cobertas, tirei o pijama, e fui ao seu encontro. Fui porque sabia que tinha algo pra te dar. Sabe, menina, eu também não estava bem naquele domingo frio, e foi por isso que não fiquei pra dormir com você. Eu queria ter te dado muito mais aquele dia, queria poder arrancar toda aquela tristeza que você calou. Mas eu não podia. Eu não aguentaria. Chorei quando cheguei em casa. E agora, dois dias depois, ainda estou aqui com coisas e mais coisas entaladas. Porque eu ainda não sei falar disso tudo. Porque eu ainda não sei o que aconteceu. Porque. Porque. Porque.

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